Exibições da letra 6

Esquadrão

Ptryon Traps

Letra

    (Tum tu tum, hu, ei, hum)
    Ptryon, tá ouvindo essa porra, mano?
    Liga os olhos, abre o peito, cê tá na mira
    Herói de dia, carrasco de noite
    No jogo sujo quem sangra é a vida

    Acordei, lavei o rosto, joguei a camisa
    Rua quente, asfalto sujo, vejo a mira
    Fardado no beco, tá caçando um motivo
    Se eu olhar torto, já sou fugitivo

    Espada na cinta, diz que é herói
    Mas na viela algum corpo sem voz
    Na TV, justiça, na madruga, chacina
    Na real, cê corre ou vira estatística

    Spray de pimenta, gás na retina
    No rádio, aborda que é ficha
    Se não tem passagem, inventa um motivo
    Se correr, já era, negro bandido

    E aí, Ptryon, tu viu o que eu vi?
    Na viela, dois fardados sumindo com um pivete ali
    Diz que ele reagiu, que trocou tiro, mas quem caiu
    Foi só mais um menor de idade sem um fuzil

    De um lado, polícia, do outro, bandido
    No meio, a favela contando os sumidos
    Colete pra um, ponto 40 pro outro
    Pro cidadão, joelho no chão e sufoco
    Sobrevivi mais um dia, obrigado, Senhor
    Porque nesse tabuleiro, a peça sou eu

    Que porra, caralho, tô me sentindo acuado
    Falo baixo porque tenho filho do lado
    Se eu sumô, quem chora por mim?
    A justiça dorme e me apaga daqui

    Nasci na quebrada, criada no fluxo
    A vida me fez ter olhar de astuto
    Meus heróis eram vilões pra TV
    Racionais no fone, aprendi a viver

    Tava subindo o morro na noite passada
    Ouvi um estampido, cena apagada
    Menor de 17, peito aberto, chão de terra
    No caderno da polícia, era guerra

    Entende o que eu estou dizendo, Ptryon?
    Os viciados pagam, os fardados faturam
    Herói e bandido, vilão e polícia
    Mas no fim, quem morre sou eu na notícia

    De um lado, polícia, do outro, bandido
    No meio, a favela contando os sumidos
    Colete pra um, ponto 40 pro outro
    Pro cidadão, joelho no chão e sufoco
    Sobrevivi mais um dia, obrigado, Senhor
    Porque nesse tabuleiro, a peça sou eu

    A cena é censurada, quem viu já sumiu
    Quem fala demais vira lenda no Brasil
    Não sou MC BO, mas conheço o enredo
    Viver no gueto é andar no medo

    Quando me perguntam o que aconteceu
    Eu só balanço a cabeça e digo
    Eu? Não fiquei sabendo, não
    Tava dormindo
    Ouvi só barcos
    (Esse é o Brasil)

    Essa aí, Ptryon, é um manifesto de rua
    Cenário montado, só falta a batida
    A verdade é brutal, a favela grita
    E no fim do dia, a oração continua
    Obrigado, Senhor, sobrevivi mais um dia


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