
Rapariga
Rabo de Saia
“Rapariga”: flerte, linguagem e ciúme em forró e fado
Em “Rapariga”, do Rabo de Saia, o jogo começa no choque de sentidos da palavra: em Portugal, “rapariga” é apenas “moça”; no Brasil, pode soar pejorativo. A letra transforma esse descompasso, somado ao encontro de forró com fado, em motor de flerte, confusão e ciúme. O narrador é um cantor convidado para a festinha de um amigo português, casado com uma “bonita moça”. Quando ele diz “misturei forró com fado”, o salão esquenta, todo mundo começa a “chamegar” e a esposa do anfitrião o chama para “ver a lua”. O convite pode ser só romântico, pode ser paquera: é nessa ambiguidade que a tensão cresce e o marido estranha.
O refrão “Cadê minha rapariga? / Onde é que ela está?” sustenta humor e tensão ao mesmo tempo. Em português de Portugal, ele só procura sua moça; ouvido por brasileiros, a frase soa mais áspera e amplifica o ciúme. “Não me casei com ela pra um cantador carregar” tem duplo sentido: pode ser “levar embora” ou “carregar” no sentido de ser levado pela música e pela sedução do cantor. Já “não me bote pra roer” remete a roer de ciúmes, roendo as unhas, sofrendo. A canção brinca com limites do flerte (o convite para “ver a lua”), com papéis de gênero (o marido possessivo, a mulher com agência, o cantor entre a inocência e a vaidade) e com o encontro luso-brasileiro: fado, cheio de saudade, e forró, cheio de chamego, se misturam e mostram como um mal-entendido de linguagem pode incendiar a pista e o coração do português.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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