
Silêncio na Calçada
Rafael Zeferino
Desceu do ônibus, fim de tarde
O céu pintado em tons de saudade
Na esquina, um tumulto chamou
Curioso, ele se aproximou
Vozes cortavam o ar
Uma briga prestes a desandar
Um grito rompeu o chão
E o tempo parou na explosão
Uma bala voou sem direção
Mas encontrou seu coração
Aos vinte e três, sonhos caíram no chão
Silêncio, agora, é sua canção
Sirenes gritam na contramão
O socorro chegou, mas em vão
Tantos planos deixados pra trás
Num instante que não volta mais
Olhos abertos, fitando o céu
A calçada abraçou seu papel
Passos correm, gritos no ar
Mas nada podia o tempo voltar
Um nome entre tantos perdidos
Mais um jovem entre os esquecidos
Ninguém viu de onde partiu
Mas todos sentiram quando ele caiu
Uma bala voou sem direção
Mas encontrou seu coração
Aos vinte e três, sonhos caíram no chão
Silêncio, agora, é sua canção
Sirenes gritam na contramão
O socorro chegou, mas em vão
Tantos planos deixados pra trás
Num instante que não volta mais
Na calçada, o telefone largado
Mensagens não lidas no passado
Uma vida inteira por viver
Levou consigo sem entender
Uma bala perdida, mas não por acaso
Fez do seu peito o último abraço
O mundo seguiu, mas algo parou
Na calçada onde a vida calou
Sirenes gritam na contramão
O socorro chegou, mas em vão
Tantos planos deixados pra trás
Num instante que não volta mais



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