
Do Brilho ao Podrão
Ranger Rosado
Saí de casa feliz, todo arrumadinho
Banho tomado, e bem cheirosinho
Mas na rua a regra é clara, não dou bobeira
Celular vai pra cueca, e protejo a carteira
Parei na barraca antes de entrar
Pedi um copão pra calibrar
A vodka tinha maior gostão de acetona
O energético era adoçante com dipirona
Desceu rasgando, queimando a garganta
O fígado chora, mas a raba levanta
Mistura de vodka, suor e pressão
Ninguém tem limite, nem freio de mão
É cheiro de erro, o fim é fatal
Hoje eu brilho, amanhã eu passo mal
Entrei na boate, calor de Bangu
O suor já começa a escorrer pelo cu
Fui olhar o dark room, na curiosidade
Pra ver o que rolava lá de verdade
Mas quando entrei, o nariz entortou
Um cheirão de pica suja subiu e ficou
Fugi pro banheiro quase passando mal
Fiz amizade com um bêbado no mictório geral
Contou da vida dele, de todo sofrimento
E já me convidou pra padrinho de casamento
Esses papos de bêbado sempre me faz rir
E eu ali em pé, segurando 20 litros de xixi
É copão de vodka, suor no salão
Perdi a postura, o rumo e a noção
É cheiro de pau, é surto real
Hoje eu brilho, amanhã eu passo mal
A luz acendeu, acabou a fantasia
Virei a Cinderela ao contrário, que agonia
A fome bateu, encarei o podrão
Carne de pombo com maionese de sabão
Subi no ônibus lotado de trabalhador
Todo mundo cheiroso e eu no fedor
A tia me olha com a cara assustada
Zumbi de Walking Dead no fim da madrugada
Pera, tem que pagar a passagem?
Moço, eu sou artista
Eu sou o Ranger Rosado
Aceita um abraço como pagamento?
Não? Tá bom, vou descer



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