Exibições da letra 18

As Vózes Dos Negros (Ao Vivo)

Rapper Mano Daniel

Letra

    Salve, salve, rapaziada do rap Nacional, vamos chegar sempre na pura humildade e no respeito
    Rap Nacional é desse jeito, quebrando as algemas do preconceito
    Então vamos ouvir as vozes dos negros

    Vida de negro é difícil, é difícil conter
    Vida de negro é difícil, é difícil conter

    Escuta parceiro o que eu vou falar, representando os negros o bicho vai pegar
    Chegando na humildade, pronto pra lutar, sempre de peito aberto, eu não vou parar
    Porque nesse momento eu fico imaginando, observando as coisas que estão se passando
    Já vem de muito tempo, há centenas de anos

    Vamos falar dessa realidade, voltando em um passado de crueldade
    Porque eu tô ligado que é embaçado, seres humanos levados pra serem escravos
    Humilhados muitas vezes, torturados
    E jogados como nada, em poros lotados
    Isso sempre foi presente na humanidade, desde sempre existiu essa maldade
    Olha só, veja bem a desigualdade, desvaloriza a cor da pele, mas com a verdade

    E quantos anos se passaram e nada mudou
    Quantos negros morreram porque se rebelou
    Aguentou, suportou a brutalidade
    E até hoje ainda lutam pela igualdade
    Mesmo lembrando dos seus antepassados, acorrentados
    Em grandes navios jogados, eram homens, mulheres sendo arrebatados
    Pelo carrasco, todos eram amarrados
    E dos pés a cabeça eram torturados

    Agora veja que agonia e que tristeza
    Em cada canto, da direita pra esquerda
    Não é surpresa se deparar com a fraqueza
    E sem ter o que fazer, é mais uma presa
    Um algo fácil, eu falo com clareza
    E solto a voz, sem medo de quem quer que seja
    Sem represália, um porta-voz da raça negra
    Que não teme a nada, isso com certeza
    E aonde quer que esteja

    Que não esconde a cara diante da covardia
    Mas quem diria, se isso acabasse um dia
    Mesmo assim, tô aqui, mais um ativista
    Falando a real, sem trava na língua
    Porque não é história tipo fictícia
    São pessoas maltratadas, tiradas da lista
    Ó meu senhor
    E agora quem diria
    Se tudo isso, quem sabe, acabasse um dia

    Infelizmente é um sonho que não se realiza
    É somente uma ilusão, uma ironia
    Impondo barreiras e pedindo ainda
    Que as vozes dos negros não sejam ouvidas
    Nos quatro cantos do mundo, seja esquecida
    (Seja esquecida)

    Vamos ouvir as vozes dos negros quebrando as algemas do preconceito
    Tanto sofrimento e falta de respeito então vamos ouvir as vozes dos negros
    Vamos ouvir as vozes dos negros
    Quebrando as algemas do preconceito
    Tanto sofrimento e falta de respeito
    Então vamos ouvir as vozes dos negros

    Agora eu vou continuar com o meu assunto
    Não é discurso e nem falta de conteúdo
    É simplesmente a realidade
    Que me deixa puto, revoltado, confuso
    Eu não me iludo com o passado
    Que parece estar no presente
    Sentir é uma coisa e passar é diferente
    Como a brutalidade dos senhores escravos
    Dando risada dos negros sendo escoteados
    Até mesmo pelos próprios semelhantes
    Que eram obrigados e não era o bastante

    Vou adiante, relembrando esse absurdo
    Que se exploda o carrasco e até o jagunço
    Que são covardes, movidos pelo preconceito
    Daquele tipo que não merecem meu respeito
    Meu rap tem poder sobre a maioria
    Inspiração do quilombo até hoje em dia
    Posso ser bronco, mas o sangue negro corre ainda
    Nas veias de um guerreiro, um ativista

    Se Deus quiser, até o final da minha vida
    Do meu estilo e do meu jeito que intimida
    Naquele tempo, os medos seguiam a risca
    Era senhor, vós me sentia, mas ainda
    Um dialeto obrigado junto à regalia
    Veja bem e tire uma conclusão
    Não podemos ficar calados, isso não

    Porque aqueles que ficaram de Sol a Sol
    Com a pele rasgada como um velho lençol
    Sem água, sem comida, sem direito a nada
    Não só a pele, mas também a alma castigada
    Por isso a voz do rap se mantém viva
    Raízes negras que muitos se identificam

    A mãe África chora, mas não se intimida
    Com esse mundo que é cercado por racistas
    Parece que a escravidão não acabou ainda
    Vou seguindo a rima e a ideologia

    Se ainda tem muita coisa pra ser falada
    De tanta crueldade pra ser revelada
    De muitas vezes castigados sem pretexto
    Eram punidos com requinte de todo jeito
    Com membros decepados, o final era feio
    Cadê o respeito a todo povo negro?

    Aqui vai meu apelo
    É, pra voz do desespero

    Vamos ouvir as vozes dos negros quebrando as algemas do preconceito
    Tanto sofrimento e falta de respeito então vamos ouvir as vozes dos negros
    Vamos ouvir as vozes dos negros quebrando as algemas do preconceito
    Tanto sofrimento e falta de respeito então vamos ouvir as vozes dos negros

    Ainda bem que existiram os abolicionistas
    Em prol da liberdade dos negros um dia
    Princesa Isabel e mais alguns na lista
    Tiveram seus nomes marcados em cartas de
    Ofôrria Depois de tanta luta, enfim uma conquista
    Foi assinada a Lei Áurea, salvando vidas
    Vidas que até hoje a descendência explica
    Zumbí dos Palmáres foi a prova viva
    Carregando no corpo todas as feridas
    Principalmente com a alma corrompida
    Pelas marcas que nunca foram esquecidas

    Sou mais um narrador dessa história triste
    Que falam que é passado, mas ainda existe
    Mesmo depois de muitos anos de sofrimento
    Minha revolta aumenta e eu não aguento
    Tanta injustiça sobrando lamentos
    Que por centenas de anos vem ocorrendo

    Não vou parar por aqui, tô de peito aberto
    Lutando até o final, cabreiro e esperto
    Enquanto a minha voz não for calada
    Vou ouro o dedo na ferida e pular na ba
    Sem receio e sem medo de represália
    Escute bem, não ignore essas palavras
    Salve, salve, liberdade tão esperada
    Que depois de muitos anos foi conquistada
    Com muito sangue derramado que deixou marcas
    Na pele negra, mas também na pele parda

    E mesmo longe das correntes e a mordaça, não vou parar por aqui, tô de peito aberto
    Lutando até o final, cabreiro e esperto, enquanto a minha voz não for calada
    Vou ouro o dedo na ferida e pular na bala, sem receio e sem medo de represália
    Escute bem, não ignore essas palavras, salve, salve, liberdade tão esperada
    E mesmo longe das correntes e a mordaça, perto das dificuldades que ainda se passa
    Nos quatro cantos do mundo a voz do negro diante do preconceito, mas nunca se cala
    Guerreiros de fé, palavras soletradas palavras
    Que enriquecem e lavam a alma

    Quebrando as algemas do preconceito, libertando das correntes, impondo respeito
    Sempre na fé na luta daquele jeito, então vamos ouvir as vozes dos negros

    Vamos ouvir as vozes dos negros quebrando
    As algemas do preconceito tanto sofrimento
    E falta de respeito então vamos ouvir as vozes dos negros
    Vamos ouvir as vozes dos negros quebrando
    As algemas do preconceito, tanto sofrimento e falta de respeito
    Então vamos ouvir as vozes dos negros
    Vamos ouvir as vozes

    Aê muito obrigado a todos aqueles que fazem parte do rap nacional
    E também a todos aqueles que fizeram e ainda fazem parte da cultura negra
    Muito obrigado
    Um forte abraço, fiquem com Deus, até mais


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