Exibições da letra 13

NAS CORDAS

Rashid

A morte não existe, Besouro
A morte é viver debaixo da bota dos outros

Jogado nas cordas
Eu penso em quem veio pra esse ringue antes de mim e desistir eu não vou
Pensando nas horas
Ninguém aqui soou mais do que eu, foi mó treta pra chegar onde estou
Enfrentando hordas
De contas e inimigos que só querem garantir que não aconteça o meu show
Jogado nas cordas, desistir eu não vou
Jogado nas cordas, desistir jamais!

Zona norte, São Paulo, periferia
Numa encosta mais perto da morte do que deveria
De onde ninguém aposta que algo bom viria
Que bosta é viver de migalhas, João e Maria
Meu irmão pequeno chora com fome
Eu sem poder comprar um pão me sinto menos homem
Neurose me consome e avassala
Num sobra sala pra inocência e num tem Tadala
Pra essa sensação de impotência
Quero a vida de alívio que eu vi lá num vídeo
Em que a viagem existe e não vinda de um vício
E o convívio com livros convida a ouvir
O divino motivo de virmos aqui
Pra um mundo de pranto, ópio e desafeto
Amianto, veneno sob nosso próprio teto
Garanto, não vou ser chacota por não ter as nota
Aprendi o dialeto de anjos e demônios, poliglota
Um rei que destoa, o tempo destrona
Só deixa uma marca: O formato da sua bunda na poltrona
Não trago privilegio no genoma
Nosso erês na mira, o estado não atira bala de goma
Tragédia onde a pobreza quer ser prima donna
Na boca o gosto é sangue, lembranças de um beijo na lona
No encalço da beladona, descalço na maratona
Com o peso de mil bigornas tudo desmorona
E eu penso

Jogado nas cordas
Eu penso em quem veio pra esse ringue antes de mim e desistir eu não vou
Pensando nas horas
Ninguém aqui soou mais do que eu, foi mó treta pra chegar onde estou
Enfrentando hordas
De contas e inimigos que só querem garantir que não aconteça o meu show
Jogado nas cordas, desistir eu não vou
Jogado nas cordas, desistir jamais!

Se eu tiver só uma chance, um único lance
Eu tomo o manche, é sem romance, Tom Clancy
É minha revanche, viro um comanche freelance
Mesmo que avance, ódio é munição de longo-alcance
E a condição me ensinou a caçar
Quando jogaram o anzol, eu puxei eles pra dentro do mar
Vai ver de perto o que é nadar com tubarões
Já que a terra que era nossa foi mordida por barões
No peito o calor de 5 balões
Com sonhos mortos o suficiente pra encher 5 valões
Mas vou com a luz de Hélio, se a vida me der limões
Esse é meu ferro-velho onde troco grilhões por milhões
Na egrégora que já foi sem chão, Marshall e Deborah
Com a fome de devorar e a mira de Légolas
Corri léguas na ronda e soei madrepérola
Não fui na onda, aposto em calda-longa igual libélula
Realeza nas células, vejo a presa nas cédulas
Busco a bênção dos ancestrais como um raio no céu lilás
Cê já sentiu a pressão? Se equilibrar num fio de alta-tensão
O último pênalti bem no travessão
Cercado nesse canto, jogado nas cordas
E na minha frente o oponente já me dá por vencido
No meu caminho é assim que tem sido
Então virei uma máquina de esmagar convencido (vai)

Jogado nas cordas
Eu penso em quem veio pra esse ringue antes de mim e desistir eu não vou
Pensando nas horas
Ninguém aqui soou mais do que eu, foi mó treta pra chegar onde estou
Enfrentando hordas
De contas e inimigos que só querem garantir que não aconteça o meu show
Jogado nas cordas, desistir eu não vou
Jogado nas cordas, desistir jamais!

Desistir jamais!
Desistir jamais!
Desistir jamais! (Foco na missão)
Desistir jamais!


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