Asas de Fogo
Ricardo Araujo
Havia um cinza que o tempo esqueceu
No peito vazio, o silêncio cresceu
Sombra sentada, abraço o joelho
Alma cansada, sem ter um espelho
Mas na ponta do dedo desperta
Uma cor que o medo não deixa por perto
Asas de fogo, tintas no ar
O inverno se rende, vou te encontrar
Eco das sombras, o grito da cor
Pássaro livre no rastro da dor
Vou em ascensão e rasgo o véu
O meu desenho é o meu céu
O meu desenho é o meu céu
O vulto sem rosto, o frio no olhar
Tenta o meu medo de novo puxar
Tenta o meu medo de novo puxar
Mas o bico é chama, a garra é fulgor
O monstro se curva diante do autor
Eu pinto o amanhã, eu traço a saída
Asas de tinta, o preço da vida
Asas de fogo, tintas no ar
O inverno se rende, vou te encontrar
Eco das sombras, o grito da cor
Pássaro livre no rastro da dor
Vou em ascensão e rasgo o véu
O meu desenho, o rastro da fé
O meu desenho é o meu céu
O meu desenho é o meu céu
O meu desenho é o meu céu
No eco
Apenas o eco
O eco das sombras
Pássaro de Inverno



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