Exibições da letra 43
Letra

    Numa vida tentando ser raro, ergui pontes e castelos
    Me revesti de Sol e colo alado pra, nos vitrais das memórias, ser um eco
    Desde o berço expio os meus pecados lapidando a lápide
    Que dirá a um mundo encantado: Aqui jaz um príncipe

    Tentando não ser banal, me vesti de angelical
    Me fiz sobrenatural, com pavor de ser normal

    Pra fugir de mim, eu me escondo num baú
    E deixo um manequim ser o que eu não consigo
    Deixo-o me assumir na esperança de eu sumir
    E nunca mais voltar à primeira pessoa do singular

    Pra não ser apenas um sopro e desvanecer na poeira
    Minha humanidade dissolvo, para atravessar fronteiras

    Pra fugir de mim, eu me escondo num baú
    E deixo um manequim ser o que eu não consigo
    Deixo-o me assumir na esperança de eu sumir
    E nunca mais voltar à primeira pessoa do singular

    Pra fugir de mim, eu me escondo num baú
    E deixo um manequim ser o que eu não consigo
    E ao fugir de mim, embalsamei o meu caminho e não consigo mais voltar

    Tento qualquer conexão desde que não me abandonem
    Quero que me estendam a mão e saciem toda minha fome
    Tento reencontrar o chão de um antigo peito inocente
    Que se perdeu em algum porão, ou que partiu permanentemente


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