Exibições da letra 69
Letra

    Pintura inverossímil a lá Paris emoldurada em pranto e verniz
    Vide à l'écran de Ogirdor Matisse
    Consegues discernir se estou aqui, se já morri ou se estou por um triz?
    É que eu me perdi em tantas
    Matizes felizes que disfarçam grises
    São crises tingindo raizes nas telas de um impostor

    Seja bem-vinda ao meu ateliê
    Sempre que eu puder, vou me esconder
    Por trás de esculturas que modelam o abstrato do meu ser
    Pois minha poesia é um vão, gélida e em decomposição
    Eu sou uma lacuna ambulante dentro dessa exposição

    Minha fidedigna arte é descarte, é destroço, é só ruína e pó
    Um reflexo silente, um amor ausente, um poema sem voz
    É morta e escrava da contradição

    Seja bem-vinda ao meu ateliê
    Sempre que eu puder, vou me esconder
    Por trás de esculturas que modelam o abstrato do meu ser
    Pois minha poesia é um vão, gélida e em decomposição
    Eu sou uma lacuna ambulante dentro dessa exposição

    Eu sou uma lacuna precisando reencontrar meu coração


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