Há 10 anos atrás, eu fui a um jogo de futebol no Maracanã.
Saindo do estádio, havia uma briga entre torcedores.
Um sujeito puxou uma arma e deu dois tiros.
Uma das balas veio atingir em cheio minha cabeça.
Fui levado às pressas para o Hospital,
Mas já cheguei sem vida.

Voltei!!! Voltei!!!
Não como Hamlet, clamando por justiça.
Não como campanha publicitária.
Voltei com imagem, simulacro.
Não tenho sangue, nem osso.
Disfarço no meio tanta gente.
Falsifiquei a identidade.
Entrei num banco.
Virei cantor.
Me chamo ROGERIO SKYLAB.
É tudo falso, é tudo falso.
Vocês nem desconfiam:
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER

Não tem dia, não tem sol,
Não tem noite, não tem som,
Não tem sorte, não tem lei,
Não tem nada, não tem ninguém.

Não tem guerra, não tem paz,
Não tem norte, não tem sul,
Não tem sombra, não tem luz,
Não tem Buda, não tem Exu.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

Não tem fezes, não tem flor,
Não tem negro, não tem blues,
Não tem carro, não tem metrô,
Não tem gosto, não tem fedor.

Não tem tripa, não tem pus,
Não tem câncer, não tem dor,
Não tem english, não tem tupi,
Não tem sangue, MTV.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

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Composição: Rogério Skylab. Essa informação está errada? Nos avise.

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