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O Deus Verme

Rogério Skylab

Fator universal do transformismo
Filho da teleológica matéria
Na superabundância ou na miséria
Verme é o seu nome obscuro de batismo

Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea
E vive em contubérnio com a bactéria
Livre das roupas do antropomorfismo

Almoça a podridão das drupas agras
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão

Ah! Para ele é que a carne podre fica
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!


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