
Crônica do Natal Caipira (Monólogo do Natal)
Rolando Boldrin
Infância e desigualdade em “Crônica do Natal Caipira”
“Crônica do Natal Caipira (Monólogo do Natal)”, de Rolando Boldrin, retrata de forma direta e sensível a exclusão das crianças pobres do interior diante do mito do Papai Noel. Logo no início, a recusa ao “Papai Noé” e ao seu “papé de vendê ilusão pra tár da burguesia” evidencia o sentimento de injustiça de quem nunca foi incluído na fantasia natalina, reservada aos mais ricos. A linguagem caipira e o tom simples aproximam o ouvinte da realidade de quem vive à margem do Natal comercial, reforçando a autenticidade do relato.
A narrativa se aprofunda ao mostrar o sacrifício do pai, que, para não decepcionar o filho, acaba roubando um brinquedo do patrão. O trenzinho enferrujado, recebido com alegria, simboliza tanto a esperança quanto a perda: “Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele / Por favor pai, num vá levá meu trem?”. O desfecho, com a prisão e morte do pai, revela a tragédia silenciosa de muitas famílias humildes, onde o sonho de Natal pode custar a dignidade e até a vida. Ao final, Boldrin transforma o “causo” em denúncia social, mostrando que, para muitos, a infância é marcada não só pela pobreza, mas também pela falta de justiça e compaixão. O texto valoriza a cultura caipira e, ao mesmo tempo, questiona as profundas desigualdades do Brasil.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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