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LetraSignificado

    Rituais e ancestralidade em “Obatalá” de Roque Ferreira

    Em “Obatalá”, Roque Ferreira faz uma homenagem direta ao orixá Obatalá, também conhecido como Oxalá, figura central nas religiões afro-brasileiras. Logo no início, a menção a “Obatalá, orixalá” evidencia respeito e reverência, além de destacar a importância dos rituais e das tradições. O trecho “Não dê sal nem dendê pro santo / Vá fazer ebô / Acaçá de arroz com mel / Inhame, ajabô, mugunzá” faz referência às oferendas e restrições alimentares específicas do culto a Obatalá, que valoriza a pureza e a simplicidade, evitando ingredientes como sal e dendê. Isso mostra o cuidado e a atenção aos detalhes nos rituais, reforçando o caráter sagrado dessas práticas.

    A música também utiliza símbolos marcantes, como a “pomba branca” e as vestes brancas na procissão de Oxalá, que representam paz, pureza e renovação espiritual. A ida da “iaô” para “ver água pra lavar / A pedra do otá” remete ao ritual de purificação e à forte ligação com a natureza, aspectos fundamentais no Candomblé. Ao citar “Salve oxalufã / Salve oxaguiã”, Roque Ferreira reconhece as diferentes manifestações de Oxalá, valorizando a diversidade dentro do culto. Assim, “Obatalá” se destaca como um tributo à ancestralidade, à religiosidade e à preservação das tradições afro-brasileiras, ressaltando a conexão entre o sagrado, a natureza e a comunidade.

    Composição: Roque Ferreira. Essa informação está errada? Nos avise.

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