
Logo Que Passe A Monção
Rui Veloso
Refúgio e resignação em "Logo Que Passe A Monção" de Rui Veloso
Em "Logo Que Passe A Monção", Rui Veloso utiliza imagens como o narguilé e o ópio para ilustrar a busca por alívio diante das dificuldades da vida. Esses elementos, presentes em versos como “Ópio bendito ópio minhas feridas mitiguei / Meu bálsamo para a dor de ser / Em ti me embalsamei”, mostram o desejo do narrador de fugir da realidade e anestesiar a dor existencial. O tom da música é melancólico e contemplativo, reforçado pelo uso da "monção" como metáfora para períodos turbulentos e difíceis.
A letra também aborda a transitoriedade e a inevitabilidade das mudanças, como em “Sei que tenho de partir logo que suba a maré”. Apesar de saber que precisa seguir em frente, o narrador prefere adiar esse momento, buscando conforto temporário no entorpecimento. A imagem da “folha de bambú a deslizar na corrente / Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente” destaca a sensação de fragilidade e desapego, como se a vida estivesse por um fio. Ao pedir para ser “abatido ao efectivo” e afirmar que vai “sem morrer”, o narrador expressa o desejo de desaparecer discretamente, sem causar impacto. Assim, a canção constrói um retrato sensível de alguém que, diante das tempestades da vida, procura refúgio na introspecção e em estados alterados de consciência, oscilando entre a esperança de alívio e a aceitação melancólica da própria condição.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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