Exibições da letra 72

Irmãos de Sangue

Rui Veloso

Letra

    Ai as tardes nas matas
    A folhagem por tapete
    Tocando tamborim em latas
    E a boca a fazer trompete

    Subir pinheiro bela arte
    Pintar o índio na cara
    Meia rota de estandarte
    A flamejar na ponta de uma vara

    Ai esse tempo
    Quando o tempo era largo
    Madressilva figo verde
    E ai que doce o verde amargo

    Correr solto nos velados
    Ser tão ágil como o gamo
    Ver a salamandra ao Sol
    E o pardal de ramo em ramo

    Ai esse tempo
    Quando o tempo era largo
    Madressilva figo verde
    E ai que doce o verde amargo

    Eu sou comanche meio apache
    Ele navajo e tu moicana
    Faço a canoa e pesco o peixe
    Tu és o lume da cabana

    Pega nessa faca e faz um golpe
    Põe o teu sangue no meu a jorrar
    Eu juro trazer o escape
    De quem roubar o Sol do teu olhar

    Ai esse tempo
    Quando o tempo era largo
    Madressilva figo verde
    E ai que doce o verde amargo


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