Exibições da letra 93

Império Serrano 2026 - Hamilton Fofão

Samba Concorrente

LetraSignificado

    Sou eu, a flor do mulungu
    Brilham os olhos d’água
    Orayeyê! É de mamãe Oxum!
    Sou Ponciá consagrada
    Entregue às palavras e ao axé das ancestrais
    Se tempos atrás ecoavam vozes do porão
    Hoje reescrevo a história
    Poesia a despertar nas pretas mãos
    Nos becos da minha memória
    Meu verbo é ouro de aluvião
    Meu verso é barro de artesão

    Pra Folia de Reis, chama vô e chama tio
    Na Folia de Reis, vou vivendo por um Fio
    Ô Lê Lê, lá vem batuque, pra cangira começar
    Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar!

    Não é fácil emergir nesse contraste
    Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir
    No refúgio desses becos e vielas
    De mãos dadas com Sabela
    Eu só quero ser feliz
    O Rio que me acolheu me ensinou também a florir
    Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui
    Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil
    Me torno imortal no livro Brasil!
    Malungo! Que Negro-estrela possa ser reconhecido
    Sem o choro de um futuro interrompido
    Por todo preto, escreviver!
    A gente combinamos de não morrer!
    Combinamos de não morrer!

    É Kizomba de preta literatura!
    É escrita sem censura no Império a florescer!
    Casa de preto também é academia
    Serrinha! Ponciá Yalodê!

    Composição: Lico Monteiro, Leandro Maninho, Hamilton Fofão, Dudu Senna, Cláudio Russo, Jorginho da Flor, Silvio Romal. Essa informação está errada? Nos avise.

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