Exibições da letra 11
Letra

    No ventre da terra onde a vida se encerra, é tudo preto
    Na reza que as almas se abrigam no Amenta, é tudo preto
    Dentro da semente a vida recomeça e é tudo preto
    Viver debaixo da bota, não, Prefiro morrer desse jeito

    Sem caô que a ROTAM cata, mata: Tudo preto!
    Lekin se joga, se droga e eles falam que é tudo preto
    Descaso, quatrocentos anos de atraso: Tudo perto
    E não é sobre errado ou certo, Foda-se que eu vim sem medo

    Pipa avoadona mesmo, sempre trabalhei dobrado
    Morrer me soou descanso, Kaviungo abriu seus braços
    Tá gelado? Porque veio?
    Guerra eu vim pro arregaço
    Caio, mas caio atirando, Ce também morre arrombado!

    Louvei as almas, Saltou do navio e se escondeu na barra da saia de Kayaya
    Canudos, Malês, Palmares, Vacina, Chibata: Louvei as almas!
    Pedi disposição dobrada, O Tempo ainda é rei e eu sei
    Por isso não deitei pra nada

    Sonhei com soldados se erguendo no Vale e é tudo preto
    Frutos das sementes que os herois regaram e é tudo preto
    Dentro da semente a vida recomeça, e é tudo preto
    Gerações me ressuscitam para vingar aneis e dedos

    O ouro do rio que corta a muralha ilumina a flecha do rei caçador
    Mesmo que hoje eu perca essa batalha é certo que a guerra não acabou
    Resisto firme desde A'zagaia, dança da luta que a Ginga criou
    Mesmo que hoje eu perca essa batalha é certo que a guerra não acabou

    Nascido em terras distantes, sem saber o próprio nome (hey, oh)
    Pisantes e diamantes, criam na alma a fome (oh, hey)
    Na favela escorre sangue, onde o bicho e a bala come (Grr)
    Guerras não são o bastante, para silenciar o homem (Grr)

    Filho de guerreira Bantu, rebatizado com nome de santo
    Ancestral vive na dança, na terra no sangue e no encanto
    Na língua, poesia, na fé, engenharia, ciência, na mente e no canto
    Tudo preto como a noite e ainda pintam de branco

    E essa cor é de Oxalá, Lembá! Lembra?
    Nkise, Orixá, pemba, para guiar
    Os irmão na travessia, na fria água do mar
    No limite dessa vida, queria meu patuá

    Deixa a mente voar, pra muito além do horizonte
    Do tempo, da vida, da guerra, da ponte
    E o pesadelo nessa travessia, quebra a memória da fonte
    Guardam tão fundo que poucos em vida se lembram de onde

    Meu povo é a base dos Sumérios, inverto critérios
    Império em ruínas não, das ruínas um império
    Perco o Norte e acho o Sul, esse é meu hemisfério
    Na ferida Kavungo Omulu, fé e seus mistérios

    Culto da cruz que coloniza é o berço do ateu
    Transformar o barro em mundo é o conceito de Deus
    Canta no sétimo dia quem trabalhou e colheu
    Esperança e sabedoria, do nada ao apogeu

    Século vinte-e-um, pandemias e colônias
    Na América do Sul, militares do umbral
    Mais um ditado comum, morte a quem se oponha
    Cruzei o mar azul, vi que isso não é o final

    O ouro do rio que corta a muralha ilumina a flecha do rei caçador
    Mesmo que hoje eu perca essa batalha é certo que a guerra não acabou
    Resisto firme desde A'Zagaia, dança da luta que a Ginga criou
    Mesmo que hoje eu perca essa batalha é certo que a guerra não acabou

    Composição: Tamara Franklin, Samora N'Zinga. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Samora N'zinga e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção