Exibições da letra 114

Versos Diversos

Sebastião Dias

Letra

    Como Elísio Félix, Canhotinho da Paraíba
    Em defesa da raça negra

    Quando era injusto o Brasil
    Aos pretos escravizaram
    O choro dos filhos brancos
    As mães pretas consolram
    E o leite dos filhos pretos
    Os filhos brancos mamaram

    Quando o general Mascarenhas de Morais voltou da guerra com os nossos pracinhas
    O piauiense Domingos da Fonseca foi ao Rio de Janeiro homenageá-lo com esse repente

    Na frente de um pelotão
    Quando um soldado pendia
    O Brasil se enlutava
    E Mascarenhas dizia
    Geme Brasil que eu garanto
    Vingar teu gemido um dia'

    Poeta sonhador
    Somente a grandeza da mãe natureza
    Te fez cantador

    Lourival Batista, mestre Louro do Pajeú

    Eu não sei como suportei
    Na vida tantas revoltas
    Prazer por que não me prendes?
    Mágoa por que não me soltas?
    Presente por que não foges?
    Passado por que não voltas?

    Pinto do Monteiro, a serpente do Cariri

    Essa palavra saudades
    Conheço desde criança
    Saudade de amor ausente
    Não é saudade é lembrança
    Saudade só é saudade
    Quando morre a esperança

    Poeta sonhador
    Somente a grandeza da mãe natureza
    Te fez cantador

    Hercílio Pinheiro do Rio Grande do Norte
    Cantando com Dimas Batista

    Enfrentar meu companheiro
    Cantando, ninguém se atreve
    Na hora que ele canta
    Parece que Deus escreve
    Com tinta da cor do céu
    Em papel feito de neve

    As estrelas são safiras
    Encravadas no infinito
    Que a mão do criador
    Com seu trabalho bendito
    Deixou do lado de fora
    Pra o céu ficar mais bonito

    Poeta sonhador
    Somente a grandeza da mãe natureza
    Te fez cantador

    João Severo de Lima, de Patos da Paraíba
    Cantou no meu batizado e depois cantando comigo no pé da parede fez essa sextilha

    Menino eu me lembro a cor
    Dos teus primeiros lençóis
    O som da minha viola
    E o eco da minha voz
    Estão debaixo das telhas
    Da casa dos teus avós

    Do patoense Odilon Nunes de Sá, da Paraíba, para a juventude

    Admiro a mocidade
    Não querer envelhecer
    Velho ninguém ficar
    Novo ninguém quer morrer
    Sem ser velho ninguém vive
    Bom é ser velho e viver

    Poeta sonhador
    Somente a grandeza da mãe natureza
    Te fez cantador

    E o sertão ainda chora pelos seus poetas: Antônio Marinho, a águia da poesia
    Jó Patriota, Rogaciano Leite, Zé Bernardino, Zé Gonçalves
    Severino Ferreira, Antônio Barbosa, Manoel Xudú, Zeca Filó e tantos outros


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