
O Charlatão
Sérgio Godinho
Crítica social e ironia em “O Charlatão” de Sérgio Godinho
A música “O Charlatão”, de Sérgio Godinho, faz uma crítica direta e irônica àqueles que se aproveitam da vulnerabilidade alheia, especialmente em contextos de desigualdade social. O personagem central, descrito como alguém que “vende perfumes de lama, anéis de ouro a um tostão”, representa figuras oportunistas que, em tempos de crise, oferecem falsas promessas e soluções ilusórias para lucrar com a esperança dos mais necessitados. O cenário da “ruela de má fama” reforça o ambiente de exclusão e pobreza, típico da sociedade portuguesa durante a ditadura, onde esses aproveitadores encontram espaço para agir.
A letra utiliza imagens sarcásticas e exageradas, como “sete ratos, três enguias, uma cabra abracadabra”, para ridicularizar os truques e a encenação do charlatão, mostrando o quanto o espetáculo da enganação é absurdo. O refrão, repetido como um chamado de feira, destaca o tom de deboche e aponta para a passividade de quem assiste ou participa desse jogo de ilusões. Ao citar mulheres sem marido, crianças famintas e pessoas dormindo nas ruas, a canção evidencia o abandono social, enquanto os charlatões “instalados em poltronas” discutem seus lucros. O verso final, “e o trono é do charlatão”, amplia a crítica ao mostrar que o poder está nas mãos de quem manipula e explora, fazendo uma clara referência à elite política e social do Estado Novo. Assim, Sérgio Godinho transforma o charlatão em símbolo de um sistema de dominação e engano que marcou Portugal naquele período.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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