
Os Demónios de Alcácer-Quibir
Sérgio Godinho
Crítica histórica e ironia em “Os Demónios de Alcácer-Quibir”
Em “Os Demónios de Alcácer-Quibir”, Sérgio Godinho utiliza a ironia para questionar o mito de D. Sebastião e a forma como Portugal lida com sua própria história. Logo no início, a imagem do rei partindo para a batalha “com o cavalo atulhado de livros de história e guitarras de fado” mostra um líder mais preocupado com símbolos do passado do que com a realidade do desafio à frente. Essa cena evidencia a crítica ao distanciamento de D. Sebastião, que, ao liderar Portugal na desastrosa Batalha de Alcácer-Quibir, acabou por comprometer o futuro do país e abrir caminho para a dominação espanhola.
A letra reforça essa visão ao ironizar as promessas do monarca, como em “hipotecado toda a nação por dez reis de mel coado”, apontando para a imprudência e as ilusões que marcaram sua decisão. O contraste entre a arrogância portuguesa e o conhecimento dos mouros sobre o deserto, expresso em “o mouro é que jogava em casa”, destaca a falta de preparo dos portugueses. Após a derrota, a imagem da “vizinha espanhola sentada na cama, deitada no trono” simboliza a humilhação nacional. O tom satírico permanece até o final, ao retratar o rei como um “bebé chorão” e ironizar o luto nacional com um funeral pomposo, mas vazio de significado, encerrando com um sarcástico “Viva Portugal”. Godinho, assim, desmonta o mito sebastianista e critica a tendência portuguesa de glorificar derrotas e líderes fracassados.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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