
Fanfarra (Cabua-Le-Le)
Sérgio Mendes
“Fanfarra (Cabua-Le-Le)” entre festa, alerta e identidade
“Fanfarra (Cabua-Le-Le)” encena um cortejo em que euforia e vigilância caminham juntas: a celebração irrompe, mas há tensão no ar. O coro “Cabua lê lê / Viva ê / Viva” puxa a rua, enquanto imagens como “facão” e o chamado “Au au au apitô” lembram que a festa popular convive com sinais de cuidado. Como faixa de abertura de Brasileiro (1992), marca o retorno de Sérgio Mendes às raízes, com percussão de matriz baiana que evoca carnaval e roda de samba; o canto de resposta do refrão funciona como grito de bloco, amarra a batida e energiza o desfile sonoro.
As figuras vêm do cotidiano e da tradição: “Fumo de corda / Enrolam” e “Faca que corta / É facão” constroem um cenário popular, de feira e quintal nordestino. “Mulher de nome é Isabel / Que samba com gringo” encena o encontro entre o local e o estrangeiro, no espírito do álbum que combina ritmos tradicionais e linguagem contemporânea; pode ser integração cultural e, ao mesmo tempo, jogo de poder e encantamento. “Soldado sem farda e sem quartel” sugere o sujeito desamparado pela instituição (crítica social) ou o guerreiro da rua que “milita” na festa. “Não duvide que ela fica / Mas duvide que ela vá” reforça a autonomia de Isabel e o magnetismo do lugar. Por fim, “Au au au apitô / No vapor deve dar” pode ser apito de bloco/polícia, sinal de atenção no meio da farra, ou o apito de navio chamando partida — a tensão entre ficar e partir.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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