
Fé Durante a Seca
Sertanejo Classe IA
O chão rachou na baixada
O açude virou lembrança
O gado magro no pasto
Vai perdendo a esperança
A poeira sobe alta
No caminho do sertão
E o céu trancado de nuvem
Nem escuta oração
Lá em casa a lamparina
Clareia pouca fartura
Mas minha velha ajoelhada
Nunca perde a fé mais pura
Reza olhando pra janela
Com o terço na mão direita
Pedindo chuva pra Deus
Pra salvar nossa colheita
Ô meu Deus mande água boa
Pra molhar esse rincão
Que a seca castiga o homem
Mas não seca a devoção
Mesmo vendo a terra morta
Nosso peito não desiste
Porque quem planta esperança
Nunca vive só de tristeza
Já vendemo algumas cabeça
Pra comprar o que comer
Mas ninguém lá nessa casa
Pensa em se entregar ou perder
Meu pai fala todo dia
Enquanto encara o horizonte
Depois da noite mais longa
Deus faz nascer novo monte
E numa tarde distante
O vento começou mudar
Um cheiro forte de chuva
Veio longe anunciar
O primeiro pingo d’água
Fez meu povo se abraçar
E até a terra batida
Parecia festejar
Ô meu Deus chegou a chuva
Bendizendo esse chão
A enxada voltou sorrindo
Na mão firme do sertão
Quem enfrentou tanta seca
Aprendeu na caminhada
Que a fé do homem simples
Vale mais que ouro e prata



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