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Diário de Um Detento

Seu Jorge

Memória do Carandiru em “Diário de Um Detento” por Seu Jorge

Em “Diário de Um Detento”, o “ratatatá” muda de sentido conforme a cena: começa como o barulho do metrô e da cidade indiferente, depois vira metralhadora e prenúncio de morte. As datas (1º e 2 de outubro de 1992) colocam a narrativa no tempo real do Carandiru. Escrita por Mano Brown e Jocenir sobre o massacre daquele 2 de outubro, a letra acompanha um preso sob mira de “HK”, vigiado por um PM “metido a Charles Bronson”, expondo a rotina que fermenta a tragédia. A tensão cresce nos detalhes: o relógio em “câmera lenta”, o tédio que adoece em “Nada deixa um homem mais doente que o abandono dos parentes”, o suicídio na cela e a indiferença externa (“mais um metrô vai passar… gente de bem… hipócrita”). Repetições como “tic, tac”, “ratatatá” e “país das calças bege” moldam o claustro e o destino, enquanto “Cada detento uma mãe” e “Misture bem essa química” apontam a cadeia como produto de abandono, miséria e tempo. Na versão ao vivo de 2012, Seu Jorge, com os Racionais MC’s, funde samba e rap para manter a denúncia e ampliar seu alcance.

No segundo dia, “Amanheceu com Sol, dois de Outubro”, tudo colapsa: fogo, refém, facções e primários juntos; “Era a brecha que o sistema queria”. A decisão “que depende do sim ou não de um só homem” mira o então governador Luiz Antonio Fleury Filho; “Fleury foi almoçar” ironiza a omissão diante da carnificina (111 mortos). “Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo” e “Robocop do governo” expõem a resposta desumana do Estado. Imagens duras — “sangue jorra como água”, “Adolf Hitler sorri no inferno”, “Morreu de bruços no Salmo 23” — intensificam a denúncia de um país que descarta vidas e desacredita quem sobrevive: “Mas quem vai acreditar no meu depoimento?”. O narrador tenta se manter pela “palavra de honra”, mas convive com a contradição de “conseguir a paz, de forma violenta”. A leitura de Seu Jorge com os Racionais reforça a memória do massacre e a urgência de mudanças no sistema prisional e na sociedade.

Composição: Mano Brown / Josemir Prado. Essa informação está errada? Nos avise.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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