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Relação materna e cultura em “Mamã” de Soraia Ramos

Em “Mamã”, Soraia Ramos transforma a homenagem à mãe em um retrato íntimo da cultura cabo-verdiana e do cotidiano familiar. Ao citar o prato típico “arroz com bongolon”, a artista mostra como a figura materna está ligada não só ao afeto, mas também à tradição e ao conforto do lar. O verso “Bu toma fiadu na senhor Rês / Bu fla mo ta paga fim di mês” (“Você comprava fiado com o senhor Rês / Você dizia que pagaria no fim do mês”) revela o sacrifício real da mãe, que se endividava para garantir o lanche escolar da filha. Esse detalhe destaca como o amor materno se manifesta em atitudes simples e muitas vezes silenciosas, reforçando a importância dos gestos cotidianos.

A música constrói a imagem da mãe como uma “mudjer guerrera” (mulher guerreira) e “rainha”, ressaltando sua força, resiliência e papel fundamental na formação da filha. Ao repetir “Oh mamã, bu kriam desdi mininu / Oh mamã, é bo ki fazem mudjer” (“Oh mamãe, você me criou desde criança / Oh mamãe, foi você quem me fez mulher”), Soraia expressa gratidão não só pela criação, mas também pelo exemplo e dedicação maternos. O orgulho pela ancestralidade aparece em “Forti orgulhu na bo avo / Bu ka cai nu ka dexa” (“Muito orgulho na sua avó / Você não cai, nós não deixamos”), reforçando a ideia de continuidade e resistência feminina. Assim, “Mamã” valoriza tanto os pequenos gestos quanto os grandes sacrifícios, celebrando o amor incondicional e a força das mães cabo-verdianas.


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