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Peão de Mala Suerte

Telmo de Lima Freitas

Letra

    Amigo, quero contar
    Uns trechos que já passei
    Nos tempos que gauderiei
    Que andava desempregado
    A fortuna que eu possuía
    Era uma égua com cria
    E um matungo melado

    Meu rancho, quase caindo
    Não tinha rombo, era brecha
    A lamparina, sem mecha
    Todo andava nesse tranco
    Na égua deu garrotilho
    Se empanturrou meu potrilho
    O melado ficou lunanco

    Minha profissão era a doma
    Não encontrava bagual
    La pucha que andava mal!
    E a peonada me cobrava
    Me fui pra estância da mila
    Pegá a safra de esquila
    E a tesoura não cortava

    Tirava só dez ovelha
    Não dava nem pros meus vícios
    Andava num precipício
    Já tranqueando bem sestroso
    Já estava despilchado
    E como diz o ditado
    Se eu pudé, arrasto o toso

    Chaguei na cancha da tava
    Pra experimentar o braço
    Tenteando dar um laçasso
    Arrumar algum dinheiro
    - “Me resta cinco no tiro”
    E me pulou o clodomiro
    - “Está copado, parceiro”

    Eu dei-lhe de mão no osso
    E soltei de volta e meia
    E a minha espora enleia
    No fleco do tirador
    E o osso sai arrodeando
    Já ouvi o coimeiro gritando
    - “Deu culo pro atirador! ”

    Meu único cinco pila
    Perdi naquela carpeta
    Saí fazendo gambeta
    Em direção do meu rancho
    Fui fazer uma comida
    Da carne que estava esguida
    Só me restava era o gancho

    Os guaraxains malvados
    Levaram minha ração
    Meu laço estava no chão
    E deixaram só a argola
    E se mandaram à la cria
    E a minha barriga tinia
    Que nem corda de viola

    Eu saí no parapeito
    Vinha um índio a trotezito
    Conheci, era o negrito
    Num tostado redomão
    Por demais de bem montado
    Veio me dar um recado
    Do meu primeiro patrão

    De vereda me fui lá
    Conversei com os meus botão
    - “Será alguma marcação
    Ou algum banho de gado? ”
    Me apresentei ao patrão
    Contei minha situação
    E ali fiquei empregado

    Fiquei no portão do brete
    Pra picanear a boiada
    Nisso me surge uma olada
    Caiu um boi atravessado
    Fui destrancar o franqueiro
    Caí dentro do banheiro
    Quaje morri afogado

    Mas foi a última etapa
    Que eu aluitei com a morte
    Depois me bateu a sorte
    Lhe digo, me endireitei
    Hoje estou mais folgado
    Arrumei outro melado
    Bueno de pata e de lei

    Este patrão que lhes falo
    É Deus, nosso senhor
    Que ajuda o trabalhador
    E sua bondade se expande
    A fazenda em que eu trabalho
    - Vou lhe contar sem atalho
    - É o meu querido rio grande!


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