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Brasileia

Thiago Amud

LetraSignificado

    Ironia e crítica social em "Brasileia" de Thiago Amud

    "Brasileia", de Thiago Amud, utiliza ironia e crítica social para retratar o Brasil de forma satírica, misturando personagens reais e fictícios em uma espécie de "mitologia nacional". Amud faz referência a figuras como Dão Pedro, Malasarte, Jeca Tatu, Peri, Sebastiana, Maria Moura, Macabeia e Sinhá Vitória, criando um mosaico que expõe as contradições e absurdos da identidade brasileira. O verso “Bacamarte abre um hospício nacional / E funda a nova capital” sugere que o país, diante de seus delírios políticos e sociais, está sempre à beira de se reinventar de maneira caótica, como se a fundação de uma nova capital fosse um ato de loucura coletiva.

    A letra também faz uso de expressões populares e citações de obras clássicas da literatura brasileira, como “Jeca Tatu” (Monteiro Lobato), “Pauliceia desvairou” (referência a Mário de Andrade), “Macabeia” (Clarice Lispector) e “Rei da Vela” (Oswald de Andrade). Essa colagem de referências serve para ironizar a repetição de figuras messiânicas e ciclos de esperança e frustração política, como nos versos “De vez em quando o meu Brasil / Bate pino por ardil” e “Ou é primeiro de abril?”, que reforçam a ideia de um país vivendo em estado permanente de farsa. O humor ácido aparece em imagens como “Malasarte aproveitou o carnaval / E tomou conta do pré-sal”, criticando a facilidade com que riquezas nacionais são apropriadas em meio à festa e ao descaso.

    O tom crítico se intensifica ao abordar temas como alienação, manipulação midiática e perda de esperança, visíveis em “Vendam toda a esperança / Pra pagar minha fiança” e “Vendam toda a traquitana / Ai de ti, Copacabana”. A repetição de “Ou é primeiro de abril” ao final reforça a sensação de que a história do Brasil é marcada por golpes, farsas e recomeços ilusórios, enquanto a menção ao “leilão da fuloresta” ironiza a entrega das riquezas naturais. Assim, "Brasileia" constrói uma narrativa multifacetada, usando humor e sarcasmo para provocar reflexão sobre a identidade, os impasses e as esperanças frustradas do Brasil.

    Composição: Guinga / Thiago Amud. Essa informação está errada? Nos avise.

    O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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