exibições de letras 257

N0v05 X4mã5

Tiago Miçanga

Letra

    A luz que brilha do olhar da cobra decepada pela faca afiada do osso do carneiro
    E o pesado arfar do homem em cilada que vomita num banheiro,
    São como uma entidade que presencia um assassinato sendo um sacrifício por vaidade.

    O grito da parideira e do bebê que nasce:
    O primeiro ato, a vida que desencadeia!
    O messias nasce da menina que já tem força pra ser mãe solteira
    E olha seu bebe nos olhos,
    Vê o futuro dele em sua retina:
    Que é seu filho montado num dragão,
    Galopando entre as nuvens fúteis
    Destruindo a cidade com a força de um tufão.

    A menina descobre fatos inúteis,
    Pois ela estará bem morta
    E interrompem-na batendo a porta, atacando,
    Lhe matarão para seqüestra a criança amada.
    Ela, com a fúria de um louco leão que pelo caçador branco é dizimado.
    Seu berro agonizante vem como trovão.
    Acerta Gaia que cai de quatro chorando,
    Pois esta doente por sentir nossa doença.
    Enquanto outros estão viajando
    E param pra tomar um café em Florença
    Como se o mundo fosse parar,
    Com a paciência de Jó e tem que aguardar,
    Mas ela esta sempre a girar.

    E eu pro mundo fico de guarda
    Vendo luas subirem e descerem,
    Vendo sóis subirem e descerem,
    Até vejo o mundo preto e branco
    Mas sempre parto o meu giz de cera,
    Não me escondo, mas estou no meu canto
    E o canto é improvável queira ou não queira.

    Da fogueira das vaidades
    Onde o homem disseca o homem
    Ela destrói toda a cidade
    E sobrevive quem tem sobrenome
    Se sentem como deuses,
    Tratam os outros como lixo,
    Nunca perdem nem as vezes esse é o nosso nicho.
    De pessoas que sofrem por ter em outros o sorrir,
    De palhaços depressivos, crianças viciadas
    Às vezes o mundo, não quero sentir,
    Pois só aflora mais juventude transviada.

    E se todos os deuses gregos espancarem um virgem
    Será igual a seqüestrada que tem apego ao carrasco que a levou a para esfinge?
    Não muda nada, é adorar quem te abate
    Quem te usa e depois te mata,
    É a síndrome da viúva negra.

    Lembro quando antes morava na mata
    Entre as chuvas grossas e o cheiro forte
    Fazia o ritual no bifurcar do rio,
    Agora a oferenda é na encruzilhada,
    Se confundem as várias entidades que vagam entre os planos.

    Apesar da faca ainda ser de osso
    O que muda é o motivo e o engraçado é que ainda rima
    Só que o sacrifício era por necessidade,
    Agora sempre é por vaidade e nunca por humildade.

    O bebê é mais que santo,
    Mas nuca vai perceber
    O mundo não vai deixar ser salvo por ele
    Em vez disso vai lhe ensinar a domar o dragão
    Que vai dizimar suas vidas e salgar sua comida

    É a sina das nossas cidades doentes,
    Tão feias, tão podres que da pena
    Então as chamo de bonitas


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Tiago Miçanga e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção