
La Fine
Tiziano Ferro
“La Fine”: entre culpa, raiva e um novo começo persistente
Em “La Fine”, Tiziano Ferro toma uma canção de Nesli e a veste como autobiografia, deslocando o “fim” para um recomeço teimoso. A dualidade aparece quando a mesma voz pede perdão — “Chiedo scusa a chi ho tradito” (Peço desculpas a quem traí) — e cospe raiva — “e affanculo ogni nemico” (e que se danem todos os inimigos). A figura da mãe surge como manual de sobrevivência: “questa vita va vissuta... non guarda in faccia e in faccia al massimo sputa” (esta vida deve ser vivida... não tem consideração por ninguém e, quando muito, cospe na cara). O eu lírico admite ter sempre “incassato” (aguentado os golpes) e vivido irritado “fino a perdere il fiato” (até perder o fôlego), até formular a sentença-chave: “Arriverà la fine, ma non sarà la fine” (Chegará o fim, mas não será o fim). As imagens — “mille file” (mil filas), “numero in mano” (número na mão), “primo piano” (primeiro plano), “come un bel film che purtroppo non guarderà nessuno” (como um belo filme que, infelizmente, ninguém vai assistir) — sugerem uma vida exposta e invisível. No espelho, o desencaixe: “Io non lo so chi sono... non saprei disegnarlo” (Eu não sei quem sou... não saberia desenhá-lo). Ferro disse que a música parecia narrar sua vida e a gravou para dar-lhe visibilidade; sua interpretação emotiva, a melodia melancólica e a instrumentação sutil ampliam essa tensão introspectiva.
O refrão condensa a pressa por virar a página — “vorrei che fosse oggi, in un attimo già domani” (eu queria que fosse hoje, num instante já amanhã) — e o plano de reconstrução: “Per reiniziare... stravolgere tutti i miei piani... sarà migliore e io sarò migliore” (Para recomeçar... virar todos os meus planos de cabeça para baixo... será melhor e eu serei melhor). Mas o freio interno domina: “mi son fatto rubare forse gli anni migliori / dalle mie paranoie e da mille altri errori” (eu me deixei roubar, talvez, os melhores anos / pelas minhas paranoias e por mil outros erros); “sono strano... conto più di un difetto” (sou estranho... tenho mais de um defeito). A promessa “io ti salvo stavolta, come l’ultima volta” (eu te salvo desta vez, como da última vez) oscila entre fé, destino e autoengano. O tempo corre — “Guardo la vita in foto e già è arrivato un altro inverno” (Eu olho a vida em fotos e já chegou outro inverno) —, a mudança emperra — “non cambio mai... distruggo tutto sempre” (eu nunca mudo... destruo tudo sempre) — e o pedido de perdão perde efeito — “se vi ho deluso chieder scusa non servirà a niente” (se eu decepcionei vocês, pedir desculpas não vai servir para nada). Culpa, confronto e esperança persistem, o que explica por que “La Fine”, na voz de Tiziano Ferro, segue ressoando no cenário italiano.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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