
Ligia
Tom Jobim
Desejo contido e autoengano em "Ligia" de Tom Jobim
Em "Ligia", Tom Jobim constrói um retrato sensível do autoengano e da repressão sentimental diante de um amor impossível. A negação constante nos versos, como em “Eu nunca sonhei com você / Nunca fui ao cinema / Não gosto de samba, não vou a Ipanema”, funciona como um mecanismo de defesa. Ao negar situações tipicamente românticas e cariocas, o eu lírico tenta esconder a intensidade do sentimento, mas acaba revelando justamente o contrário: o desejo reprimido e a frustração de não poder viver esse amor.
O contexto real da canção aprofunda ainda mais seu significado. Tom Jobim se inspirou em sua relação com Lygia Marina de Moraes, um romance impedido por questões pessoais e circunstanciais. Isso explica o tom de resignação e frustração que permeia a letra. O verso “E quando eu lhe telefonei, desliguei, foi engano” ganha força ao sabermos que foi baseado em um episódio real, quando Tom tentou falar com Lygia, mas foi impedido pelo marido dela, Fernando Sabino, que lhe passou um número errado. Esse detalhe biográfico transforma o verso em uma confissão de desejo frustrado e encontros impossíveis. Além disso, ao descrever “teus olhos morenos” — sendo que Lygia tinha olhos verdes —, Tom preserva a identidade da musa e universaliza o sentimento de amor não correspondido. O medo expresso no final, “Mas teus olhos morenos me causam mais medo / Que um raio de sol”, mostra como a paixão é intensa e ameaçadora, reforçando o tom melancólico e contido da canção.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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