
Matita Perê
Tom Jobim
Folclore e jornada existencial em "Matita Perê" de Tom Jobim
O título "Matita Perê" já traz um forte simbolismo ao se referir à ave Tapera naevia, conhecida como "sem-fim" e associada tanto a presságios quanto ao Saci-Pererê, personagem do folclore brasileiro. Essa escolha conecta a música à ideia de ciclos eternos de busca e transformação, tema central da canção. O personagem João, que atravessa cenários como o "jardim das rosas de sonho e medo", o "deserto negro" e o "brejo das almas", representa não só uma travessia física pelo sertão, mas também uma jornada existencial marcada por desafios, coragem e o enfrentamento do desconhecido.
A letra é repleta de imagens da natureza e referências ao interior do Brasil, refletindo a admiração de Tom Jobim pela literatura regionalista, especialmente por Guimarães Rosa, a quem o álbum é dedicado. Os vários nomes dados a João – "Chico chamado Antônio", "Matias cujo o nome é Pedro", "Horácio, vulgo Simão" – mostram que ele é um arquétipo do homem sertanejo, anônimo e universal, que enfrenta adversidades e assume diferentes identidades ao longo da vida. O refrão "Olerê, Olará, você me pegar" remete a cantigas populares e ao misticismo do folclore, reforçando o clima de lenda e mistério. No final, a repetição do ciclo – "No jardim das rosas de sonho e medo" – indica que a busca de João, assim como o canto da Matita Perê, é interminável, simbolizando a esperança e a luta constantes diante das dificuldades do sertão brasileiro.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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