Lavagem da Igreja de Irará

Tom Zé

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Zé, Zé, Zé Popô
Foguete do ar me anunciou
Irará é meu namoro
E a lavagem é meu amor

Na Quixabeira eu ensaio
Na Rua de Baixo eu caio
Na Rua Nova eu me espalho
Na Mangabeira eu me atrapalho.

Pulo pra Rua de Cima
Valei-me Nossa Senhora
Arrepare o remelexo
Que entrou na roda agora.

Arriba a saia, peixão
Todo mundo arribou, você não.

Melânia, porta-bandeira
Com mais de cem companheiras
Lá vem puxando o cordão
Com o estandarte na mão
Em cada bloco de cinco
Das quatro moças bonitas
Tem três no meu coração
Com duas já namorei
Por uma eu quase chorei.

Na Lavagem minha alma
Se lava, chora e se salva
Segunda, lá no Cruzeiro
Eu me enxugo no sol quente.
No céu, na porta de espera
Sinhá Inácia foi louvada
Vendo os pés de Zé-Tapera
São Pedro cai na risada.

Pé dentro, pé fora
Quem tiver pé pequeno
Vai embora.

Quem chegou no céu com atraso
Foi Pedro Pinho do Brejão
Que se demorou comprando
Quatro peças de chitão.
Mas logo em sua chegada
Duzentas saias rodadas
Ele deu ao povaréu
E organizou todo mês
Lavagem da porta do céu.

Por favor me vista
Não me deixe à toa
Lá naquela loja
Tem fazenda boa
Tem fazenda boa
Pra sinhá-patroa.
Tem capa e chapéu
Para os tabaréu
Tem fazenda fina
Pra moça grã-fina,
Tem daquela chita
Pra moça bonita.

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