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Memórias de Um Peão

Trio Parada Dura

Letra

    Aquela estrada preta de asfalto quente
    Já foi um dia vermelha e empoeirada
    Pisoteada pelos bois e os cavaleiros
    Que lentamente transportavam a boiada

    Ia na frente um valente boiadeiro
    Chamando os bois pra boiada não estourar
    Com seu berrante estremecia o grotão
    Suas viagens pareciam não findar

    O dia inteiro era uma luta arrojada
    Um boi valente, outro que extraviava
    O sol poente indicava o fim do dia
    Quase sem forças chegavam na pousada

    Depois do rango sempre tinha um companheiro
    Bom violeiro para alegrar os peões
    Ao som da viola esqueciam o cansaço
    Sapateavam e curtiam as canções

    Daquela lida hoje só resta a saudade
    Dos boiadeiros de um tempo que longe vai
    Quando eu vejo um caminhão e a boiada
    No inconsciente ouço um berrante a tocar

    Não fui peão, mas me lembro com detalhes
    Ao recordar dá vontade de chorar
    Pois o berrante que soa em minha mente
    É de um velhinho, esse velho é meu pai

    Foi o progresso que acabou com os boiadeiros
    Pôs asfalto nas estradas, caminhões a transportar
    Hoje a boiada já não pisa no estradão
    E as memórias de um peão jamais irão se apagar
    Hoje a boiada já não pisa no estradão
    E as memórias de um peão jamais irão se apagar

    Composição: Desembargador José Amancio / Edna Teixeira / Leonito. Essa informação está errada? Nos avise.

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