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Gabriela

Ulises Bueno

Tempo, dinheiro e afeto em “Gabriela”, de Ulises Bueno

O verso “No alcanza la omnisciencia de este narrador” (Não alcança a onisciência deste narrador) já revela um narrador consciente de seus limites e desloca “Gabriela” de um melodrama para uma crônica seca sobre trocar presença por dinheiro. Lançada por Ulises Bueno em 2016 no álbum “No me pidan que baje el volumen” (Não me peçam para baixar o volume) e composta por Marcos Bainotti, a canção contrapõe a mulher que ama o simples — “teñirse de lluvia” (se molhar na chuva), os “amaneceres” (amanheceres) — ao parceiro que “trabaja todas las horas” (trabalha todas as horas) e “sólo cuenta moneditas” (só conta moedinhas). As imagens tornam o conflito concreto: ela “elige la ventana de su living” (escolhe a janela da sua sala) para ver a vida passar, enquanto ele junta “lo que no va a gastarse en siete vidas” (o que não vai gastar em sete vidas). No refrão, o pedido é por tempo compartilhado: “No me sueltes, porque vuelo / Dame un día a medias si es contigo” (Não me solte, porque eu voo / Me dê um dia pela metade se for com você) e a ambígua “No me quieras, porque quiero” (Não me ame, porque eu quero). A moral surge explícita: “No puedes comprar el tiempo cuando es tarde” (Você não pode comprar o tempo quando é tarde), reforçada pelo “palacio frío” (palácio frio) da ausência.

Com o passar dos anos, afeto e riqueza se convertem em solidão e arrependimento: ele “se tomaba un vuelo a Londres” (pegava um voo para Londres), enquanto ela “empezó a tomar alcohol con algunas pastillas” (começou a beber álcool com alguns comprimidos) e “a navegar por los eternos mares de una cama” (a navegar pelos mares eternos de uma cama), até perder o brilho dos pequenos rituais. O reencontro, “fría como el mármol de la escalera” (fria como o mármore da escada), sela um tempo que não volta, e o narrador admite não saber “de qué carajo” (de que diabos) ela morreu. Só então o parceiro queima “sus billetes en la hoguera” (suas notas na fogueira) e se tranca no mesmo lugar onde Gabriela foi infeliz. A força dessas imagens levou a música além do cuarteto, rendendo em 2017 uma versão pop punk de Naju e Tute sem perder o centro: dinheiro acumula, mas não devolve presença nem amanheceres compartilhados.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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