Yeah, yeah
Fumaça pro alto, a mente flutuando lento
Outra garrafa vazia rolando contra o vento
Ela me liga, mas já tá tarde pro nós
Essa cidade faz barulho, mas perdeu a voz

Aham
Mais uma noite
Mais um delírio

Copo de cristal, gelo de coco derretendo
Você de frente pro espelho se vestindo e eu vendo
Duas da manhã, a pressa é inimiga da perfeição
Mas a gente erra por prazer, sem pedir perdão

Uma dose pra esquecer o que a semana causou
Outra dose pra lembrar de quem a gente se tornou
O lençol de seda amassado, o quarto pegando fogo
O mundo afunda lá fora, mas aqui é outro jogo

Diz que é amor, mesmo sabendo que é miragem
A vida na pista é rápida, a gente tá de passagem
Teu perfume fica no ar quando cê vai embora
E eu finjo que não dói até chegar a próxima hora

Luxúria no olhar, delirando nesse mar de notas
O que o dinheiro compra a gente gasta e não se importa
Mas na madruga o peito aperta e a mente voa
Procurando paz num corpo que deságua à toa

É que o brilho do ouro não clareia a alma, não
Outro gole, outra fumaça, outra ilusão
A cidade acesa e o coração na escuridão
Delírios na mente, mó confusão

Vem na onda, ele tem Vênus em escorpião
Ela quer o mundo inteiro na palma da mão
Caminha na corda bamba, intensidade em cada passo
Me chama de vivido, quer um momento e mais nada

Conta o dinheiro e percebe a sanidade escapar
Quanto mais sobe na vida, menos sabe onde pisar
Ela é artigo de luxo, joia rara da vitrine
Cenário de filme, crime que o coração define

Te levo pro topo do mundo de carona no meu golêta
Escrevendo nossa história entre o caos e a beleza
Mistura o gin com a tua boca, sabor de perigo
A noite é um blefe e eu tô jogando contigo

Se o FBC falou que a vida é um delírio diário
Eu sou o cronista rimando o teu inventário
Colecionando memórias que o tempo não arquiva
Entre excessos e cicatrizes que mantêm a gente viva

O que sobrou de nós quando a luz se apagar?
Quando o efeito do copo e do combo passar?
O camarote tá cheio, mas o peito tá vazio
Nessa cidade de concreto que nos deixa no frio

É luxo, é grife, é pose pra foto
Mas no final da noite, me diz o que eu adoto?
Seus delírios são os meus, nossa dose é a mesma
A vida passa correndo e a gente quer que ela vá lenta

Luxúria no olhar, delirando nesse mar de notas
O que o dinheiro compra a gente gasta e não se importa
Mas na madruga o peito aperta e a mente voa
Procurando paz num corpo que deságua à toa

É que o brilho do ouro não clareia a alma, não
Outro gole, outra fumaça, outra ilusão
A cidade acesa e o coração na escuridão
Delírios na mente, mó confusão

Vidro fumê
Ninguém vê o que acontece lá dentro

Só eu e você
Perdidos no tempo

Mais uma dose
Mais um delírio

Yeah


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