
Serpentine
Vana
Desejo, culpa e poder em “Serpentine”, de Vana (Éden)
Em “Serpentine”, a tentação vira um pacto cúmplice: a serpente seduz e, ao mesmo tempo, se oferece como fruto. Quando surgem “take a bite of me / sink your teeth into me (it’s forbidden, original sin)” (me morde / crava os dentes em mim; é proibido, pecado original), desejo sexual e conhecimento proibido se fundem, embaralhando culpa e poder. A letra costura o mito de Adão e Eva a um jogo carnal de domínio: “slither my way into your garden” (me esgueiro para o seu jardim) reativa o Éden; “cursed to crawl upon my belly” (amaldiçoada a rastejar sobre a barriga) ecoa a maldição do Gênesis; “apples don’t fall far from their trees” (as maçãs não caem longe de suas árvores) aponta a repetição herdada do pecado e de padrões de atração destrutiva. O contraste entre “holy parasite” (parasita sagrado) e “restore my soul” (restaura minha alma) torce a linguagem religiosa, como se a intimidade profanasse e, paradoxalmente, prometesse redenção. “I’ll meet you back in purgatory” (te encontro de novo no purgatório) crava a ideia de ciclo: prazer, culpa e expiação que se sucedem sem saída.
A dinâmica é de predador e presa, marcada por imagens corporais de aperto e ataque: “constricting your throat” (apertando sua garganta), “wrapping ’round you” (me enrolando em você), “make you choke” (te fazer engasgar) e o sussurro isolado “(No one can hear you)” (ninguém pode te ouvir) encenam captura e silenciamento. “pit viper, death-gripping tighter” (víbora de fosseta, aperto de morte cada vez mais forte) e “venom dripping down your lip” (veneno escorrendo pelo seu lábio) levam o desejo ao terreno do veneno e da posse. A sequência “the souls of the damned… the lamb… the shepherd… the wooden crook” (as almas dos condenados… o cordeiro… o pastor… o cajado de madeira) introduz o par pastor/cordeiro para discutir autoridade e violência: os danados querem comandar, mordem a mão que alimenta; o cajado que guia também pode punir os vulneráveis, sugerindo uma fé disciplinadora. O ritmo e as repetições — “flick, flick, flick” (lambida, lambida, lambida), “lip, lip, lip” (lábio, lábio, lábio), “hyp-hyp-hypnotic” (hip-hip-hipnótico) — funcionam como língua silvante e mantra, produzindo transe. “Shedding / coiled up” (trocando de pele / enrolada) fecha o ciclo: pele trocada, desejo renovado — a mesma dança de poder, mais apertada e inevitável.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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