Pindorama

Vasco Debritto

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Vento bateu no Pontal
Trouxe um cochicho do mar
Amor que nunca se dá
Não é coisa boa de amar!

Fui lá pra enseada, fui me arranjar
Palmeira na estrada, uma sabiá
Um banho nas águas verdes do mar
Quem sabe uma benção do meu orixá?

Buscar o remanso, o tuí-tuí
Deitar numa rede à toa a sonhar
O sonho da terra, um sonho tupi
Banana em cacho, querendo enfeitar

Caminho de sol, aberto a estender
Pra lá de onde a vista não pode mais ver
Além dos limites guardados pra mim
Botar pé no chão, alma de curumim

Graviola, goiaba, maracujá
Estranho balé, dança de tangará
Diamantes, chapada, caatinga sertão
Explodindo as minas do meu coração

Ponteia a viola, segue a toada
Coco, coqueiro, a flor do dendê
Água nem peixe, boi nem boiada
Eu tava, é, no fundo buscando você

Caminho de sol, alegre a se abrir
Pra lá de onde a gente sonhava seguir
Um céu de planalto, azul, cristalino
No fundo do peito: um amor de menino

Bate a zabumba, toca o tambor
Paca, tatu, coita, tucano
Não era feitiço, nem desamor
Só era você que eu andava buscando!

Eh andei eh andei eh andei

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