Fogueira
Vencidos
Saio, atrapalhado, tropeçando pela neve
Rumo às coníferas eretas logo perto
Junto alguns galhos ali mesmo no coberto
Ciente do custo que me pesa não ser breve
O cão me observa com orelhas empinadas
Sente minha angústia e a aura de perigo
Sabe que se encontra muito longe de abrigo
E que me equilibro sobre cordas delicadas
Procuro meus fósforos no bolso do casaco
Mas a luva grosseira limita minha pega
Desnudo minha mão, que endurece feito pedra
E, rapidamente, amortece seu contato
Derrubo alguns palitos e quebro outros tantos
Com a destreza parca de dedos hipotérmicos
Prestes a sofrer irreversíveis danos dérmicos
A chama da vida me revela seus encantos



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