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Abismo de Amor

Vicente Celestino

Letra

    Ó lua, o argênteo véu se espalma
    por sobre a noite eterna
    que eu tenho dentro d'alma
    Ao teu luar de prata
    um beijo originou
    o amor que aquela ingrata
    em cinzas transformou
    Ao teu luar!

    Às ondas, espúmeas serpentinas
    às líricas ondinas
    à branca espumarada
    um infeliz lamenta
    que amando enlouqueceu
    Ó lua prateada
    esse infeliz sou eu!

    Alvo sol, branca luz
    que iluminaste sobre a cruz
    a fronte de Jesus
    vem luzir por sobre a minha dor
    Ó vem ungir minh'alma a cair
    neste abismo de amor

    Oh! Lua, pudesse eu, qual um astro,
    Na Luminosa umbela
    Seguir-te o elúrneo rastro
    E, de saudade dela,
    No espaço derramar
    O pranto que entre estrelas
    Transforma-se ao luar.
    A meditar, ho! Lua,
    Assim entre a cortina
    Da al;cova constelada,
    De renda alabastrina
    Qual noiva pensativa
    Pareces minha amada.
    Por quem a padecer.
    Espero até morrer.

    Composição: Cândido das Neves Índio. Essa informação está errada? Nos avise.

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