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Palma de Martírio

Vicente Celestino

Letra

    Quando um Deus cruento
    Vem sangrar meu sentimento
    E do meu tormento
    Põe as cordas a vibrar
    Solto o pensamento
    Que se perde no infinito
    Desse azul bendito
    Que te luz no olhar

    Se teu nome pulcro
    Em devoção desfio em prece
    Frio em seu sepulcro
    Me estremece o coração
    Pedras de cristal sentimental
    Correm fulgaces
    Pelas minhas faces
    A brilhar, rolar

    Brilhas dentre as gemas
    Dos poemas dos meus prantos
    Choras nos quebrantos
    Destas lágrimas supremas
    Tu sorris das rosas
    Policrômas nos aromas
    Fulges no cismar
    Da minha dor, do meu penar

    Cantas nos enleios
    Dos gorgeios mais insones
    Corres pelos veios
    Na campina esmeraldina
    Gemes pelos seios
    Esteríssimos das fontes
    Pelos horizontes
    No arrebol ao pôr-do-Sol

    Em vestes celestes
    Nos ciprestes de minh'alma
    Ergues uma palma
    De martírio a meu penar
    Brilhas como um círio
    Iluminando sobre flores
    Minhas agras dores
    Cor do azul do mar

    Composição: Anacleto de Medeiros / Catulo da Paixão Cearense. Essa informação está errada? Nos avise.

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