
Rapaz Solteiro
Vieira e Vieirinha
“Rapaz Solteiro”: humor caipira e códigos do namoro
“Rapaz Solteiro” junta zoeira e códigos de roça: moral de igreja, medo do “38” e crendice de lobisomem viram um manual torto do namoro. O narrador se zoa primeiro — “Dos filhos da minha mãe só ieu que nasci criolo”, canhoto, “zoio” maroto — e depois posa de danado, dizendo que paquera “menina di outro” até perto da própria. Essa bravata de solteiro é recurso de humor e hipérbole, típico do causo que Vieira e Vieirinha, “Os Maiores Catireiros do Brasil”, levam no embalo da catira, aqui numa composição de E. Carvalho que espelha a fala e os trejeitos do interior.
Quando solta “muié feia não tem pecado”, é ditado maldoso — piada de igreja, não teologia — para dizer que beleza atiça desejo e encrenca; por isso “se ela for bonita… tem visita toda hora”. A “casa cheia” vira metáfora do assédio e da vigilância da vizinhança, ironizando como a aparência pesa na vida social. Já “Namorar muié casada é namoro proibido” vem com aviso prático: no interior, marido ofendido tem “38”, então não se brinca. Daí o fecho “Muié casada pra mim é homem”: intocável, fora do jogo. E a crendice “se a gente morrer sorteiro, diz que vira lobisomem” amarra o tom folclórico e expõe, com humor, as regras não escritas que governam o namoro na roça — entre bravata, ciúme e superstição.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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