
Receita de Mulher
Vinicius de Moraes
Ironia e idealização feminina em “Receita de Mulher”
Em “Receita de Mulher”, Vinicius de Moraes adota um tom irônico e provocador logo no início, com a frase “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O poema apresenta uma lista de exigências físicas e comportamentais para a mulher ideal, misturando lirismo, humor e exagero. Trechos como “uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes” e “os olhos, que sejam de preferência grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra” mostram o uso de imagens poéticas para destacar a busca por um padrão inalcançável, ao mesmo tempo em que fazem uma crítica sutil às expectativas de perfeição impostas às mulheres.
Publicado em 1959, o poema reflete tanto a valorização da sensualidade e do mistério feminino, características marcantes da obra de Vinicius, quanto os padrões de beleza da época, que hoje são questionados por debates sobre representatividade e pressão estética. Ao usar metáforas como “que a mulher seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas”, o autor mistura admiração e ironia, sugerindo que a mulher ideal é ao mesmo tempo real e impossível. No final, ao afirmar que, em sua “incalculável imperfeição”, a mulher é “a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável”, Vinicius reconhece a contradição de seu ideal e celebra a imperfeição como parte essencial do fascínio feminino.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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