
Dia da Criação
Vinicius de Moraes
Contradições humanas e ironia em "Dia da Criação"
Em "Dia da Criação", Vinicius de Moraes usa o sábado como símbolo do presente, explorando as contradições e paradoxos da vida cotidiana. O sábado, tradicionalmente visto como um dia de descanso e celebração, é apresentado como um espaço onde tudo pode acontecer: do amor ao crime, do prazer à dor, do sagrado ao profano. O verso “Hoje é sábado, amanhã é domingo / Amanhã não gosta de ver ninguém bem / Hoje é que é o dia do presente” destaca essa ideia, mostrando o sábado como o momento em que todas as possibilidades e absurdos da existência se concentram, enquanto o domingo representa um futuro incerto e pouco acolhedor.
Ao longo da letra, Vinicius faz um inventário das experiências humanas, misturando acontecimentos banais e trágicos: “Há um casamento... há um divórcio e um violamento... há um homem rico que se mata... há um incesto e uma regata...”. Essa justaposição reforça a imprevisibilidade da vida e a presença constante de contrastes. No final, o poeta recorre à narrativa bíblica da criação para sugerir, com ironia, que talvez fosse melhor se Deus tivesse descansado antes de criar o homem e a mulher: “Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado... Não viveríamos da degola dos animais... Não sofreríamos males de amor...”. Assim, Vinicius mistura religião, rotina e questionamentos existenciais para propor uma visão lúcida e desencantada da vida, onde o sábado simboliza tanto a esperança quanto o desencanto.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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