
Cotidiano n°2
Vinicius de Moraes
Ironia e resistência no cotidiano em "Cotidiano n°2"
Em "Cotidiano n°2", Vinicius de Moraes usa a ironia para mostrar como até os momentos de busca por elevação intelectual acabam se misturando com a simplicidade e as distrações do dia a dia. Logo no início, ele brinca ao unir poesia, cachaça e discussões sobre futebol, mostrando que a rotina pode engolir até as tentativas de se distanciar da banalidade. O verso “Eu abro o meu Neruda e apago o sol” faz referência ao poeta Pablo Neruda, mas, curiosamente, a frase é de um tango argentino, o que o próprio Neruda não reconheceu. Essa confusão reforça o tom descontraído e irônico da música, que questiona a busca de sentido na arte em meio ao caos cotidiano.
A letra também traz uma crítica à insensibilidade diante da violência diária. Ao mencionar Herodes, figura bíblica ligada à violência contra inocentes, Vinicius mostra como o personagem da música se acostuma com notícias brutais a ponto de achar “Herodes natural”. Isso evidencia como a rotina pode anestesiar as pessoas diante do absurdo. O refrão “Mas não tem nada, não / Tenho o meu violão” simboliza o violão como refúgio e resistência poética diante das frustrações e da brutalidade do cotidiano. Lançada pouco depois de “Cotidiano” de Chico Buarque, a música dialoga com ela ao tratar da rotina, mas adota um tom mais irônico e resignado, sugerindo que, apesar de tudo, a arte e a música ainda oferecem algum consolo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Vinicius de Moraes e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: