Exibições da letra 28

Abertura & Tango

Vitorino

Letra

    Sem tempo para ter tempo
    De ter tempo de te dar
    O tempo que tu mereces
    Prazeres para que tu morresses
    Manhãs que tu não amanheces
    E arrepios que estremeces

    Na boca de te beijar
    Fico sentado no quarto, nesta cama de pensão
    Ausente do espirro farto, cansado dessas mulheres
    Que ouvem sem me esgotar
    Que me olham sem me ver, que me amam sem saber
    Que me roçam sem tocar
    Que me abraçam sem paixão, que ignoram que eu anoiteço
    Que me ensombro, que escureço
    Que me enrugo e envelheço, me pregueio e apodreço
    E a quem pago o que me dão
    Uma espécie de ternura, uma imitação do amor
    Lençóis que são sepultura
    De carícias sem doçura
    E dos meus lábios sem cor

    Ai dedos no meu cabelo, quero a minha raiva toda
    Quero domá-la e vencê-la
    Quero vivê-la a meu modo
    Até encontrar por fim aquela voz de menino
    Há tantos anos perdida, há tanto tempo esquecida
    Em soluços dissolvida
    A gritar dentro de mim, a gritar dentro de mim
    A gritar dentro de mim


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