
A CASA
Volmir Coelho
Nem os fantasmas da casa podem explicar
Enclausurados nas paredes tremem sem falar
A luz da porta e das janelas se fecharam para o dia
Ficou vazia a sala sem ninguém pra se assuntar
Até o quadro desbotado dos avós
De olhos abertos para o nada pendurados
Calados, pendurados, calados
As finas teias tecidas prendem com suas malhas
A cadeira de balanço silenciou
Empoeirada e despida a velha mesa sem toalha
Serviu as taças de poeira que se fartou do nada
A solidão se abancou junto a lareira
Encheu de cinza a cambona pra matear
Chiou o vento que entrou batendo a porta
Anunciando que a alegria irá voltar
Pra casa, pra casa irá voltar



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