
As Sombras São Assombração
Volmir Coelho
Há pouco, eu vi um lume
Riscando a noite escura
Cruzando em cruz o negrume
Como uma luz que procura
Como uma luz que procura
Era um fogo fátuo
Ou sombra de assombração?
Talvez fosse m'boitatá
Ou quem sabe, cobraluz?
Que reluz, o que será?
Que reluz, o que será?
Era uma sombra pequininha
Que tinha uma vela na mão
Quanto mais o vento soprava
Mais clareava a escuridão
Não sei se era de fato
Fogo fátuo ou um tição
Mas eu vi que a sua luz
Fazia em cruz seu clarão
Fazia em cruz seu clarão
Se era em cruz, era santo
Se era claro, era encanto
No entanto, não acreditava
Que a luz que ele tinha não vinha
Da vela que ele segurava
Da vela que ele segurava
Negrinho do Pastoreio, eu creio
Por tua luz, eu quase juro
Negrinho do Pastoreio, eu creio
Tu tornas claro o escuro
Por isso, acho o que procuro



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