A Grota do Homem Morto

Volmir Coelho

Noite preta de dar medo
Tivesse vindo mais cedo
Para cruzar neste grotão
Nem a sombra do cavalo
Só escuto o som das esporas
E uma coruja me agoura
Na cabeça do moirão

Sona vento o meu cavalo
Talvez pressentindo algo
Anunciando que há perigo
Talvez o que ele enxergue
Ao meu ver é indiferente
Ás vezes nos arrepia
Parece tocar na gente

Há cuentos da gauchada
Que na boca da picada
Muita gente já morreu
Isto, nos tempos de guerra
Estação firme na terra
Manchas de sangue no chão

Quatro estação perfilados
Um maneador bem sovado
Muito vivente penou
É por isto que nesta grota
Quem nela passa calado
Escuta um som diferente
Entre rangidos de galhos
Gemidos e gritos de gente

Me saluda um quero- quero
Escuto um canto de galo
Clareando a barra do dia
Ouço em berro de terneiro
E um grito lá no potreiro
Do peão com a recolhida

Noite preta de dar medo
Tivesse vindo mais cedo


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