Sobre O Tempo E A Eternidade

Walber Costa

De repente os meus olhos se abriram
E eu vi o tempo em mim
Não são números, nem calendários
Nem o corpo chegando ao fim

Por anos pensei que era agora
Mas o agora já passou
As marcas na pele contam histórias
Que o espelho nunca explicou

E cresce algo aqui dentro
Que eu não sei nomear
É saudade me ensinando
Que o tempo não vai parar

Todas as manhãs já são tardes
Você nunca sentiu assim?
Como se a vida passasse por dentro
E não tivesse mais fim

Se um dia você perceber
Me chama pra dividir
Esse peso leve do tempo
Que insiste em nos seguir

Algo mudou no seu olhar
Mas eu não sei dizer o quê
Todo dia a mesma rua
E um déjà vu em você

Nossos olhos se encontram
Como se fosse a primeira vez
Mas existe um lugar em nós
Que já viveu tudo isso antes talvez

E eu sinto no silêncio
Que há algo além daqui
Como ecos de outra vida
Chamando você e a mim

Todas as manhãs já são tardes
Você nunca sentiu assim?
Como se o tempo girasse em círculos
Sem começo, meio ou fim

Se um dia você perceber
Me chama pra dividir
Esse estranho infinito
Que insiste em existir

O tempo corre, não respeita
Nem o que ficou pra trás
Eu chamo e já não responde
O que não volta nunca mais

Mas algo em mim mudou
Minha alma aprendeu a sentir
Entre o amor e a saudade
Eu finalmente existi

Somos pequenos demais pra entender
O tamanho do que é amar
Mas cada distância imposta
Só faz o amor aumentar

E mesmo na ausência eu sinto
Você tão perto de mim
Como um segredo guardado
Que nunca vai ter fim

A ausência não é vazio
É presença dentro de mim
E mesmo quando tudo passa
Você ainda está aqui


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