
Foi Boto, Sinhá!
Waldemar Henrique
O folclore e o tabu social em "Foi Boto, Sinhá!"
"Foi Boto, Sinhá!", de Waldemar Henrique, utiliza o folclore amazônico para abordar temas delicados, como a gravidez fora do casamento. A música mostra como a lenda do boto, um ser encantado dos rios, foi usada para explicar essas situações e proteger a reputação das mulheres. O refrão "Foi boto, sinhá / Foi boto, sinhô" repete a justificativa popular, reforçando a crença de que o boto seduz e leva as moças, servindo como uma forma de aliviar o julgamento social e transferir a responsabilidade para uma figura mítica.
A letra faz referência direta à lenda ao mencionar que "a virgem morena fugiu pro costeiro" e que "quem tem filha moça é bom vigiá!", mostrando o temor das famílias diante do mito. Waldemar Henrique valoriza a tradição oral amazônica, mas também expõe questões sociais profundas. Análises atuais destacam que, por trás do tom romântico e misterioso, a narrativa pode esconder episódios de violência sexual e gravidez precoce, especialmente entre mulheres ribeirinhas. Versos como "O boto não dorme / No fundo do rio / Seu dom é enorme" ganham duplo sentido: alimentam o imaginário fantástico e sugerem a ameaça constante e o poder de sedução (ou violência) atribuídos ao boto. Assim, a canção retrata a cultura amazônica e convida à reflexão sobre as histórias que contamos e o que elas podem ocultar.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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