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Só Sei Fazer Desgraça

Yangprj

Crítica social e resistência em “Só Sei Fazer Desgraça”

“Só Sei Fazer Desgraça”, de Yangprj, traz uma crítica direta à hipocrisia e ao racismo estrutural presentes tanto na sociedade quanto na cena do rap. No verso “Endeusando os MC branco de cabelo dread”, o artista denuncia a apropriação cultural e o favorecimento de artistas brancos em um gênero historicamente negro. Já em “É liberdade mas me diz quem o segurança segue”, ele expõe como o racismo ainda define quem é visto como suspeito, mesmo em ambientes que pregam igualdade. Essas críticas se conectam ao contexto do álbum, que discute a desigualdade social e a luta dos artistas negros por reconhecimento baseado em mérito, não em estereótipos ou tendências passageiras.

A música também aborda a superficialidade das relações e a banalização do luto nas redes sociais. Em “E se eu morrer de tiro os falso amigo posta selfie / E que tempo de luto hoje dura um Stories”, Yangprj mostra como a dor e a morte de jovens negros são tratadas com indiferença. A citação a Don L em “Donai falou nós pé no chão, eles com pé na cova” reforça a ligação com a tradição do rap nacional de resistência e consciência social. O refrão “Eu só sei fazer desgraça” funciona como um desabafo irônico: em vez de buscar sucesso comercial, o artista escolhe expor injustiças e reafirmar sua identidade. Assim, a música se apresenta como um manifesto de resistência, denúncia e orgulho diante de um sistema desigual.

Composição: Arthur Neggs Duque. Essa informação está errada? Nos avise.

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